sábado, 3 de julho de 2010

Lobos, florestas e maçãs envenenadas...


Sem fadas, sem mágica, apenas eu, sozinha em uma floresta assombrada. O lobo estava de guarda, e sentiu o cheiro do meu medo, como o bom cavalheiro que ele não era, veio me acompanhar ao caminho até o nada.

"Aonde está indo?", me pergunta gentilmente. Digo que procuro um lugar perdido, que não o encontro a muito tempo, e ignorando-o, continuo a andar. Ele me segue, e aproximando-se de mim, sinto seu doce perfume me intoxicar por dentro, me sinto atraída pelo lobo... Seria um romance impossível. O lobo já tem o seu lar, a floresta, que o consome, e sem perceber torna-se preso à ela, e não pode livrar-se, por mim.

Na verdade, pode. Mas como confiar em um lobo que larga o que há de mais importante, por uma garotinha perdida?

Continuo a andar, ele segura a minha mão, me sinto segura, sabendo que na verdade estou correndo grande perigo.

"Essas maçãs estão envenenadas... Gostaria de uma?" , querendo recusar, puxo uma da cesta, e continuo a andar, sem morder, mas me sentindo tentada.

E andar com aquele lobo se torna mágico, começa a trazer magia para aquela floresta, mas meu lugar nunca chega, começo a crêr que ele nem ao menos exista, devo continuar?

E acho que, inconsciêntemente, mordi a maçã.



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